Concerto Em Lisboa

2006 · Warner Music Portugal

  • 1.
    Loucura - Live
    4:41
    Letras

    Loucura - Live

    (Júlio Campos Sousa / Frederico de Brito)

    Sou do fado, como sei
    Vivo um poema cantado
    De um fado que eu inventei

    A falar,
    Não posso dar-me
    Mas ponho a alma a cantar
    E as almas sabem escutar-me

    Chorai, chorai
    Poetas do meu país
    Troncos da mesma raíz
    Da vida que nos juntou

    E se voçês
    Não estivessem a meu lado
    Então não havia fado
    Nem fadistas como eu sou

    Nesta voz
    Tão dolorida
    É culpa de todos vós
    Poetas da minha vida

    É loucura
    Oiço dizer
    Mas bendita esta loucura
    De cantar e de viver

  • 1. Loucura - Live

    Letras

  • 2.
    Medo - Live
    3:14
    Letras

    Medo - Live

    (Reinaldo Ferreira / Alain Oulman)

    Quem dorme à noite comigo
    É meu segredo,
    Mas se insistirem, lhes digo,
    O medo mora comigo,
    Mas só o medo, mas só o medo.
    E cedo porque me embala
    Num vai-vem de solidão,
    É com silêncio que fala,
    Com voz de móvel que estala
    E nos perturba a razão.
    Gritar: quem pode salvar-me
    Do que está dentro de mim
    Gostava até de matar-me,
    Mas eu sei que ele há-de esperar-me
    Ao pé da ponte do fim.

  • 2. Medo - Live

    Letras

  • 3.
    Maria Lisboa - Live
    3:14
    Letras

    Maria Lisboa - Live

    (David Mourão Ferreira / Alain Oulman)

    É varina, usa chinela,
    Tem movimentos de gata;
    Na canastra, a caravela,
    No coração, a fragata...

    Em vez de corvos no xaile
    Gaivotas vêm pousar...
    Quando o vento a leva ao baile
    Baila no baile com o mar

    É de conhas o vestido,
    Tem algas na cabelaira,
    E nas veias o latido
    Do motor de uma traineira...

    Vende sonhos e maresia,
    Tempestades apregoa...
    Seu nome próprio: Maria...
    Seu apelido: Lisboa...

  • 3. Maria Lisboa - Live

    Letras

  • 4.
    Montras - Live
    3:41
    Letras

    Montras - Live

    (Pedro Campos)

    Ando na berma
    Tropeço na confusão
    Desço a avenida
    E toda a cidade estende-me a mão
    Sigo na rua, a pé, e a gente passa
    Apressada, falando, o rio defronte
    Voam gaivotas no horizonte

    Só o teu amor é tão real
    Só o teu amor...

    São montras, ruas
    E o trânsito
    Não pára ao sinal
    São mil pessoas
    Atravessando na vida real
    Os desenganos, emigrantes, ciganos
    Um dia normal,
    Como a brisa que sopra o rio
    Ao fim da tarde
    Em Lisboa afinal

    Só o teu amor é tão real
    Só o teu amor...

    Gente que passa
    A quem se rouba o sossego
    Gente que engrossa
    As filas do desemprego,
    São vendedores, polícias, bancas, jornais
    Como os barcos que passam tão perto
    Tão cheios
    Partindo do cais

    Só o teu amor é tão real
    Só o teu amor...

  • 4. Montras - Live

    Letras

  • 5.
    Há Uma Música Do Povo - Live
    3:36
    Letras

    Há Uma Música Do Povo - Live

    (Fernando Pessoa / Mário Pacheco)

    Há uma música do povo
    Nem sei dizer se é um fado
    Que ouvindo-a há um ritmo novo
    No ser que tenho guardado...

    Ouvindo-a sou quem seria
    Se desejar fosse ser...
    É uma simples melodia
    Das que se aprendem a viver...

    Mas é tão consoladora
    A vaga e triste canção...
    Que a minha alma já não chora
    Nem eu tenho coração...

    Sou uma emoção estrangeira,
    Um erro de sonho ido...
    Canto de qualquer maneira
    E acabo com um sentido

  • 5. Há Uma Música Do Povo - Live

    Letras

  • 6.
    Barco Negro - Live
    5:44
    Letras

    Barco Negro - Live

    (David Mourão Ferreira / Caco Velho-Parantini)

    De manhã que medo 
    Que me achasses feia!
    Acordei, tremendo
    Deitada na areia...
    Mas logo os teus olhos
    Disseram que não
    E o sol penetrou
    No meu coração

    Vi depois numa rocha, uma cruz
    E o teu barco negro
    Dançava na luz...
    Vi teu barço acenando,
    Entre as velas já soltas...
    Dizem as velhas da praia que não voltas
    Sáo loucas!
    São loucas!
    Eu sei meu amor:
    Nem chegaste a partir
    Tudo, em meu redor,
    Me diz que estás sempre comigo

    No vento que lança
    Areia nos vidros;
    Na água que canta;
    No fogo mortiço;
    No calor do leito;
    Nos bancos vazios;
    No meu próprio peito
    Estás sempre comigo

  • 6. Barco Negro - Live

    Letras

  • 7.
    Menino Do Bairro Negro - Live
    4:16
    Letras

    Menino Do Bairro Negro - Live

    (José Afonso)

    Olha o sol que vai nascendo,
    Anda ver o mar,
    Os meninos vão correndo
    Ver o sol chegar

    Menino sem condição
    Irmão de todos nus
    Tira os olhos do chão,
    Vem ver a luz

    Menino do mal trajar
    Um novo dia lá vem
    Só quem souber cantar
    Virá também

    Negro, 
    Bairro negro,
    Bairro negro
    Onde não há pão
    Não há sossego

    Menino pobre teu lar
    Queira ou não queira o papão
    Há-de um dia cantar
    Esta canção

    Olha o sol que vai nascendo...

    Se até dá gosto cantar
    Se a terra sorri
    Quem te não há-de amar
    Menino a ti?

    Se não é fúria a razão
    Se toda a gente quiser
    Um dia hás-de aprender
    Haja o que houver

    Negro, 
    Bairro negro,
    Bairro negro
    Onde não há pão
    Não há sossego

    Menino pobre o teu lar
    Queira ou não queira o papão
    Há-de um dia cantar
    Esta canção

    Olha o sol que vai nascendo
    Anda ver o mar

  • 7. Menino Do Bairro Negro - Live

    Letras

  • 8.
    Meu Fado Meu - Live
    3:44
    Letras

    Meu Fado Meu - Live

    (Paulo de Carvalho)

    A saudade andou comigo
    E através do som da minha voz
    No seu fado mais antigo
    Fez mil versos a falar de nós
    Troçou de mim à vontade
    Sem ouvir sequer os meus lamentos
    E por capricho ou maldade
    Correu comigo a cidade
    Até há poucos momentos

    Já me deixou
    Foi-se logo embora
    A saudade a quem chamei maldita
    Já nos meus olhos não chora
    Já nos meus sonhos não grita
    Já me deixou
    Foi-se logo embora
    Minha tristeza chegou ao fim
    Já me deixou mesmo agora
    Saíu pela porta fora
    Ao ver-te voltar p'ra mim

    Nem sempre a saudade é triste
    Nem sempre a saudade é pranto e dor
    Se em paga saudade existe
    A saudade não dói tanto amor
    Mas enquanto tu não vinhas
    Foi tão grande o sofrimento meu
    Pois não sabia que tinhas
    Em paga às saudades minhas
    Mais saudades do que eu

  • 8. Meu Fado Meu - Live

    Letras

  • 9.
    Duas Lágrimas De Orvalho - Live
    3:11
    Letras

    Duas Lágrimas De Orvalho - Live

    [DR / Pedro Rodrigues (fado Pedro Rodrigues)]

    Duas lágrimas de orvalho
    Caíram nas minhas mãos
    Quando te faguei o rosto
    Pobre de mim pouco valho
    P'ra te acudir na desgraça
    P'ra te valer no desgosto

    Porque choras não me dizes
    Não é preciso dizê-lo
    Não dizes eu adivinho
    Os amantes infelizes
    Deveriam ter coragem
    Para mudar de caminho

    P'lo amor damos a alma
    Damos corpo damos tudo
    Até cannsarmos na jornada
    Mas quando a vida se acalma
    O que era amor é Saudade
    E a vida já não é nada

    Se estás a tempo recua
    Amordaça o coração
    Mata o passado e sorri
    Mas se não estás, continua
    Disse-me isto minha mãe
    Ao ver-me chorar por ti

  • 9. Duas Lágrimas De Orvalho - Live

    Letras

  • 10.
    Cavaleiro Monge - Live
    5:00
    Letras

    Cavaleiro Monge - Live

    (Fernando Pessoa / Mário Pacheco)

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por casa, por prados,
    Por quintas, por fontes,
    Caminhais aliados.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por penhascos pretos, 
    Atrás e de fronte,
    Caminhais secretos

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por prados desertos,
    Sem ter horizontes,
    Caminhais libertos.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por ínvios caminhos,
    Por rios sem ponte,
    Caminhais sozinhos.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por quanto é sem fim,
    Sem ninguém que o conte,
    Caminhais em mim.

    Por penhascos pretos
    Por rios sem ponte
    Caminhais em mim

  • 10. Cavaleiro Monge - Live

    Letras

  • 11.
    Recusa - Live
    2:33
    Letras

    Recusa - Live

    [Mário Rainho/ José Magala (fado Magala)]

    Se ser fadista, é ser lua,
    É perder o sol de vista,
    Ser estátua que se insinua,
    Então, eu não sou fadista

    Se ser fadista é ser triste,
    É ser lágrima prevista,
    Se por mágoa o fado existe,
    Então, eu não sou fadista

    Se ser fadista é no fundo,
    Uma palavra trocista,
    Roçando as bocas do mundo,
    Então eu não sou fadista

    Mas se é partir à conquista
    De tanto verso ignorado
    Então eu não sou fadista
    Eu sou mesmo o próprio fado.

  • 11. Recusa - Live

    Letras

  • 12.
    Quando Me Sinto Só - Live
    3:20
    Letras

    Quando Me Sinto Só - Live

    [Artur Ribeiro/ Joaquim Campos (fado Alexandrino de Joaquim Campos)]

    Quando me sinto só,
    Como tu me deixaste,
    Mais só que um vagabundo
    Num banco de jardim
    É quando tenho dó,
    De mim e por contraste
    Eu tenho ódio ao mundo
    Que nos separa assim.

    Quando me sinto só
    Sabe-me a boca a fado
    Lamento de quem chora
    A sua triste mágoa
    Rastejando no pó
    Meu coração acnsado
    Lembra uma velha nora
    Morrendo à sede de água.

    P'ra que não façam pouco
    Procuro não gritar
    A quem pergunta minto
    Não quero que tenham dó
    Num egoísmo louco
    Eu chego a desejar
    Que sintas o que sinto
    Quando me sinto só.

  • 12. Quando Me Sinto Só - Live

    Letras

  • 13.
    Há Palavras Que Nos Beijam - Live
    3:26
    Letras

    Há Palavras Que Nos Beijam - Live

    (Alexandre O'Neil / Mário Pacheco)

    Há palavras que nos beijam
    Como se tivessem boca.
    Palavras de amor, de esperança,
    De imenso amor, de esperança louca.

    Palavras nuas que beijas
    Quando a noite perde o rosto;
    Palavras que se recusam
    Aos muros do teu desgosto.

    De repente coloridas
    Entre palavra sem cor,
    Esperadas, inesperada
    Como a poesia ou o amor.

    O nome de quem se ama
    Letra a letra revelado
    No mármore distraído
    No papel abandonado.

    Palavras que nos transportam
    Aonde a noite é mais forte,
    Ao silêncio dos amantes
    Abraçados contra a morte.

  • 13. Há Palavras Que Nos Beijam - Live

    Letras

  • 14.
    Feira De Castro - Live
    5:09
    Letras

    Feira De Castro - Live

    (Paulo Abreu Lima / Rui Veloso)

    Eu fui à Feira de Castro
    P'ra comprar um par de meias
    Vim de lá c'umas chanatas
    E dois brincos nas orelhas

    As minhas ricas tamancas
    Pediam traje a rigor
    Vestido curto e decote
    Por vias deste calor

    Quem vai à Feira de Castro
    E se apronta tão bonito
    Não pode acabar a feira
    Sem entrar no bailarico

    Sem entrar no bailarico
    A modos que bailação
    Ai que me deu um fanico
    Num braços dum manganão

    Vai acima, vai abaixo
    Mais beijinho, mais bejeca
    E lá se vai o capacho
    Deixando o velho careca

    Todo o testo quer um tacho
    Mas como recordação
    Apenas trouxe o capacho
    Qu'iludiu meu coração

    Eu fui à Feira de Castro
    E vim da Feira de Castro
    E jurei para mais não...

  • 14. Feira De Castro - Live

    Letras

  • 15.
    Desejos Vãos - Live
    5:04
    Letras

    Desejos Vãos - Live

    (Florbela Espanca / Tiago Machado)

    Eu queria ser o mar do altivo porte
    Que ri e canta, a vastidão imensa!
    Eu queria ser a pedra que pensa,
    A pedra do caminho, rude e forte

    Eu queria ser o sol, a luz intensa,
    O bem do que é humilde e naõ tem sorte!
    Eu queria ser a árvore tosca e densa
    Que ri do mundo vão e até da morte!

    Mas o mar também chora de tristeza...
    As árvores também, como quem reza,
    Abrem, aos céus, os braços, como um crente!

    E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
    Tem lágrimas de sangue na agonia!
    E as pedras... essas... pisa-as toda a gente!...

  • 15. Desejos Vãos - Live

    Letras

  • 16.
    Primavera - Live
    5:25
    Letras

    Primavera - Live

    (David Mourão Ferreira / Pedro Rodrigues)

    Todo o amor que nos prendera
    Como se fora de cera
    Se quebrava e desfazia
    Ai funesta primavera
    Quem me dera, quem nos dera
    Ter morrido neste dia

    E condenaram-me a tanto
    Viver comigo meu pranto
    Viver, viver e sem ti
    Vivendo sem no entanto
    Eu me esquecer desse encanto
    Que nesse dia perdi

    Pão duro da solidão
    É somente o que nos dão
    O que nos dão a comer
    Que importa que o coração
    Diga que sim ou que não
    Se continua a viver

    Todo o amor que nos prendera
    Se quebrara e desfizera
    Em pavor se convertia
    Ninguém fale em primavera
    Quem me dera, quem nos dera
    Ter morrido nesse dia

  • 16. Primavera - Live

    Letras

  • 17.
    Chuva - Live
    4:49
    Letras

    Chuva - Live

    (Jorge Fernando)

    As coisa vulgares que há na vida
    Deixam saudade
    Só as lembranças que doem
    Ou fazem sorrir

    Há gente que fica na história
    Da história da gente
    E outros que quem nem o nome
    Lembramos de ouvir

    São emoções que dão vida
    À saudade que trago
    Aquelas que tive contigo
    E acabei por perder

    Há dias que marcam a alma
    E a vida da gente
    E aquele em que tu me deixaste
    Não posso esquecer

    A chuva molhava-me o rosto
    Gelado e cansado
    As ruas que a cidade tinha
    Já eu percorrera
    Ai, meu choro de moça perdida
    Gritava à cidade
    Que o fogo do amor sob a chuva
    Á instantes morrera

    A chuva ouviu e calou
    Meu segredo à cidade
    E eis que ela bate no vidro
    Trazendo a saudade

  • 17. Chuva - Live

    Letras

  • 18.
    Ó Gente Da Minha Terra - Live
    7:44
    Letras

    Ó Gente Da Minha Terra - Live

    (Amália Rodrigues / Tiago Machado)

    Ó gente da minha terra
    Agora é que percebi
    Esta tristeza que trago
    Foi de vós que recebi

    É meu e vosso este fado
    Destino que nos amarra
    Por mais que seja negado
    Ás cordas de uma guitarra

    Sempre que se ouve um gemido
    Duma guitarra a cantar
    Fica-se logo perdido
    Com vontade de chorar

    E parceria ternura
    Se eu me deixasse embalar
    Era maior a amargura
    Menos triste o meu cantar

  • 18. Ó Gente Da Minha Terra - Live

    Letras