• 1.
    O Silêncio Da Guitarra
    2:51
    Letras

    O Silêncio Da Guitarra

    [José Luis Gordo / Zé Negro (Fado tradicional)]

    O silêncio da guitarra
    Que à minha alma se agarra
    Como se fora de fogo
    Em meu peito se demora
    Qu'a alegria também chora
    E apaga tanto desgosto

    Este silêncio de Tejo
    Sem ter boca para um beijo
    Nem olhos para chorar
    Gaivota presa no vento
    Um barco de sofrimento
    Que teima em voltar

    Lisboa, cais de Saudades
    Onde uma guitarra há-de
    Tocar-nos um triste fado
    Quando a alma se agita
    A tristeza também canta
    Num pranto quase parado

  • 1. O Silêncio Da Guitarra

    Letras

  • 2.
    Cavaleiro Monge
    3:40
    Letras

    Cavaleiro Monge

    (Fernando Pessoa / Mário Pacheco)

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por casa, por prados,
    Por quintas, por fontes,
    Caminhais aliados.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por penhascos pretos,
    Atrás e de fronte,
    Caminhais secretos

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por prados desertos,
    Sem ter horizontes,
    Caminhais libertos.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por ínvios caminhos,
    Por rios sem ponte,
    Caminhais sozinhos.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por quanto é sem fim,
    Sem ninguém que o conte,
    Caminhais em mim.

    Por penhascos pretos
    Por rios sem ponte
    Caminhais em mim

  • 2. Cavaleiro Monge

    Letras

  • 3.
    Feira De Castro
    2:33
    Letras

    Feira De Castro

    (Paulo Abreu Lima / Rui Veloso)

    Eu fui à Feira de Castro
    P'ra comprar um par de meias
    Vim de lá c'umas chanatas
    E dois brincos nas orelhas

    As minhas ricas tamancas
    Pediam traje a rigor
    Vestido curto e decote
    Por vias deste calor

    Quem vai à Feira de Castro
    E se apronta tão bonito
    Não pode acabar a feira
    Sem entrar no bailarico

    Sem entrar no bailarico
    A modos que bailação
    Ai que me deu um fanico
    Num braços dum manganão

    Vai acima, vai abaixo
    Mais beijinho, mais bejeca
    E lá se vai o capacho
    Deixando o velho careca

    Todo o testo quer um tacho
    Mas como recordação
    Apenas trouxe o capacho
    Qu'iludiu meu coração

    Eu fui à Feira de Castro
    E vim da Feira de Castro
    E jurei para mais não...

  • 3. Feira De Castro

    Letras

  • 4.
    Vielas De Alfama
    4:01
    Letras

    Vielas De Alfama

    (Maximiano de Sousa / Artur Ribeiro)

    Horas mortas noite escura
    Uma guitarra a trinar
    Uma mulher a cantar
    O seu fado de amargura
    E através de vidraça
    Enegrecida e rachada
    Aquela voz magoada
    Entristece a quem lá passa

    Vielas de Alfama
    Ruas de Lisboa antiga
    Não há fado que não diga
    Coisas do vosso passado
    Vielas de Alfama
    Beijadas pelo luar
    Quem me dera lá morar
    P'ra viver junto ao fado

    A lua às vezes desperta
    E apanha desprevenidas
    Duas bocas muito unidas
    Numa porta entreaberta
    E então a lua corada
    Ciente da sua culpa
    Como quem pede desculpa
    Esconde-se envergonhada

    Vielas de Alfama
    Beijadas pelo luar
    Quem me dera lá morar
    P'ra viver junto ao fado

  • 4. Vielas De Alfama

    Letras

  • 5.
    Retrato
    4:01
    Letras

    Retrato

    (Eugénio de Andrade / Tiago Machado)

    No teu rosto começa a madrugada.
    Luz abrindo
    De rosa em rosa,
    Transparente e molhada.

    Melodia
    Distante mas segura;
    Irrompendo da terra,
    Quente, redonda, madura.

    Mar imenso,
    Praia deserta, horizontal e calma.
    Sabor agreste.
    Rosto da minha alma.

  • 5. Retrato

    Letras

  • 6.
    Fado Curvo
    2:53
    Letras

    Fado Curvo

    (Carlos Maria Trindade)

    No templo que é só do fado
    A alma é como um jardim
    Onde as flores dançam de lado
    Na ventanis sem fim

    Aguentarão, pobrezinhas,
    As fúrias da natureza?
    Paixão não é linha recta
    Nem fado é a certeza

    O fado é como um jogo
    Que Deus inventou inspirado
    Se nos pôs cá nesta vida
    Foi para jogar o fado

    Na mesa dos sentimentos
    O coração é um dado
    E rola com as guitarrasa
    E dá um número que é fado

    O um, o dois e o três,
    Faces da mesma verdade.
    O quatro e o cinco já são
    O jogo da felicidade

    O número seis é saudade
    Por ela venho cantar
    Abriram-me as portas à alma
    E agora é vê-las dançar

  • 6. Fado Curvo

    Letras

  • 7.
    Menino Do Bairro Negro
    2:54
    Letras

    Menino Do Bairro Negro

    (José Afonso)

    Olha o sol que vai nascendo,
    Anda ver o mar,
    Os meninos vão correndo
    Ver o sol chegar

    Menino sem condição
    Irmão de todos nus
    Tira os olhos do chão,
    Vem ver a luz

    Menino do mal trajar
    Um novo dia lá vem
    Só quem souber cantar
    Virá também

    Negro,
    Bairro negro,
    Bairro negro
    Onde não há pão
    Não há sossego

    Menino pobre teu lar
    Queira ou não queira o papão
    Há-de um dia cantar
    Esta canção

    Olha o sol que vai nascendo...

    Se até dá gosto cantar
    Se a terra sorri
    Quem te não há-de amar
    Menino a ti?

    Se não é fúria a razão
    Se toda a gente quiser
    Um dia hás-de aprender
    Haja o que houver

    Negro,
    Bairro negro,
    Bairro negro
    Onde não há pão
    Não há sossego

    Menino pobre o teu lar
    Queira ou não queira o papão
    Há-de um dia cantar
    Esta canção

    Olha o sol que vai nascendo
    Anda ver o mar

  • 7. Menino Do Bairro Negro

    Letras

  • 8.
    Caravelas
    5:04
    Letras

    Caravelas

    (Florbela Espanca / Tiago Machado)

    Cheguei a meio da vida já cansada
    De tanto caminhar! Já me perdi!
    Dum estranho país que nunca vi
    Sou neste mundo imenso a exilada.

    Tanto tenho aprendido e não sei nada
    E as torres de marfim que construi
    Em trágica loucura as destrui
    Por minhas próprias mãos de malfadada!

    Se eu sempre fui assim este mar morto:
    Mar sem marés sem vagas e sem porto
    Onde velas de sonhos se rasgaram!

    Caravelas doiradas a bailar...
    Ai quem me dera as que eu deitei ao mar!
    As que eu lancei à vida, e não voltaram!...

  • 8. Caravelas

    Letras

  • 9.
    Entre O Rio E A Razão
    1:58
    Letras

    Entre O Rio E A Razão

    (Gil do Carmo / Fernando Araújo)

    Eh, Lisboa da minha canção
    Sinto-te perto
    Num encanto mão na mão
    Em Lisboa, no meu coração
    Sinto-me perto
    Entre o rio e a razão

    Bem, num passo apressado o futuro
    Num reboliço, que se disse
    E se dirá
    Geração de palavras escritas
    Num desatino que o Tejo guardará

    Quem dirá o que é certo ou errado
    Na emoção do desvendar do teu lençol
    Quanta água que passa em teu leito
    Para trazer-te para sempre no meu peito
    Para trazer-te para sempre no meu peito
    Para trazer-te oh Lisboa, no meu peito!

  • 9. Entre O Rio E A Razão

    Letras

  • 10.
    O Deserto
    5:35
    Letras

    O Deserto

    (Carlos Maria Trindade)

    Deserto
    Império do sol
    Tão perto
    Império do sol
    Prova dos Nove
    Da solidão
    Cega miragem
    Largo clarão
    Livre prisão
    Sem a menor aragem
    Sem a menor aragem

    Que grande mar
    De ondas paradas
    Que grande areal
    De formas veladas
    Vitória do espaço
    Imensidão
    Ponto de fuga
    Ampliação
    Livre prisão
    Anfitrião selvagem
    Anfitrião selvagem

    No deserto
    Oiço o fundo da alma
    E, se a areia está calma,
    O bater do coração
    É que tanto deserto
    Tão de repente
    Faz-me pensar
    Que o deserto sou eu
    Se não me vieres buscar

  • 10. O Deserto

    Letras

  • 11.
    Primavera
    4:42
    Letras

    Primavera

    (David Mourão Ferreira / Pedro Rodrigues)

    Todo o amor que nos prendera
    Como se fora de cera
    Se quebrava e desfazia
    Ai funesta primavera
    Quem me dera, quem nos dera
    Ter morrido neste dia

    E condenaram-me a tanto
    Viver comigo meu pranto
    Viver, viver e sem ti
    Vivendo sem no entanto
    Eu me esquecer desse encanto
    Que nesse dia perdi

    Pão duro da solidão
    É somente o que nos dão
    O que nos dão a comer
    Que importa que o coração
    Diga que sim ou que não
    Se continua a viver

    Todo o amor que nos prendera
    Se quebrara e desfizera
    Em pavor se convertia
    Ninguém fale em primavera
    Quem me dera, quem nos dera
    Ter morrido nesse dia

  • 11. Primavera

    Letras

  • 12.
    Anéis Do Meu Cabelo
    1:54
    Letras

    Anéis Do Meu Cabelo

    (António Botto / Tiago Machado)

    Se passares pelo adro
    No dia do meu enterro,
    Dize à terra que não coma
    Os anéis do meu cabelo.

    Já não digo que viesses
    Cobrir de rosas meu rosta,
    Ou que num choro dissesses
    A qualquer do teu desgosto

    Nem te lembro que beijasses
    Meu corpo delgado e belo,
    Mas que sempre me guardasses
    Os anéis do meu cabelo

  • 12. Anéis Do Meu Cabelo

    Letras