Fado Em Mim

2001 · Parlophone Music Portugal

Fado em Mim era um primeiro álbum entusiasmante, mostrando uma jovem cantora com uma voz cheia e vibrante e um a forte personalidade artística. Cantava ainda vários sucessos do repertório de Amália, mas a sua abordagem à herança da grande diva do fado era já tão pessoal que podia facilmente afastar de si qualquer sugestão de mera imitação. E no seio do seu repertório original Ó Gente da minha Terra, do jovem compositor Tiago Machado, depressa se converteu num enorme sucesso, por direito próprio.

  • 1.
    Loucura
    3:28
    Letras

    Loucura

    (Júlio Campos Sousa / Frederico de Brito)

    Sou do fado, como sei
    Vivo um poema cantado
    De um fado que eu inventei

    A falar,
    Não posso dar-me
    Mas ponho a alma a cantar
    E as almas sabem escutar-me

    Chorai, chorai
    Poetas do meu país
    Troncos da mesma raíz
    Da vida que nos juntou

    E se voçês
    Não estivessem a meu lado
    Então não havia fado
    Nem fadistas como eu sou

    Nesta voz
    Tão dolorida
    É culpa de todos vós
    Poetas da minha vida

    É loucura
    Oiço dizer
    Mas bendita esta loucura
    De cantar e de viver

  • 1. Loucura

    Letras

  • 2.
    Poetas
    3:25
    Letras

    Poetas

    (Florbela Espanca / Tiago Machado)

    Ai as almas dos poetas
    Não as entende ninguém;
    São almas de violetas
    Que são poetas também

    Andam perdidas na vida
    Como as estrelas no ar;
    Sentem o vento a gemer
    Ouvem as rosas a chorar!

    Só quem embala no peito
    Dores amargas e secretas
    È que em noites de luar
    Pode entender os poetas

    E eu que arrasto amarguras
    Que nunca arrastou ninguém
    Tenho a alma pra sentir
    A dos poetas também

  • 2. Poetas

    Letras

  • 3.
    Chuva
    4:04
    Letras

    Chuva

    (Jorge Fernando)

    As coisa vulgares que há na vida
    Deixam saudade
    Só as lembranças que doem
    Ou fazem sorrir

    Há gente que fica na história
    Da história da gente
    E outros que quem nem o nome
    Lembramos de ouvir

    São emoções que dão vida
    À saudade que trago
    Aquelas que tive contigo
    E acabei por perder

    Há dias que marcam a alma
    E a vida da gente
    E aquele em que tu me deixaste
    Não posso esquecer

    A chuva molhava-me o rosto
    Gelado e cansado
    As ruas que a cidade tinha
    Já eu percorrera
    Ai, meu choro de moça perdida
    Gritava à cidade
    Que o fogo do amor sob a chuva
    Á instantes morrera

    A chuva ouviu e calou
    Meu segredo à cidade
    E eis que ela bate no vidro
    Trazendo a saudade

  • 3. Chuva

    Letras

  • 4.
    Maria Lisboa
    2:42
    Letras

    Maria Lisboa

    (David Mourão Ferreira / Alain Oulman)

    É varina, usa chinela,
    Tem movimentos de gata;
    Na canastra, a caravela,
    No coração, a fragata...

    Em vez de corvos no xaile
    Gaivotas vêm pousar...
    Quando o vento a leva ao baile
    Baila no baile com o mar

    É de conhas o vestido,
    Tem algas na cabelaira,
    E nas veias o latido
    Do motor de uma traineira...

    Vende sonhos e maresia,
    Tempestades apregoa...
    Seu nome próprio: Maria...
    Seu apelido: Lisboa...

  • 4. Maria Lisboa

    Letras

  • 5.
    Ó Gente Da Minha Terra
    4:02
    Letras

    Ó Gente Da Minha Terra

    (Amália Rodrigues / Tiago Machado)

    Ó gente da minha terra
    Agora é que percebi
    Esta tristeza que trago
    Foi de vós que recebi

    É meu e vosso este fado
    Destino que nos amarra
    Por mais que seja negado
    Ás cordas de uma guitarra

    Sempre que se ouve um gemido
    Duma guitarra a cantar
    Fica-se logo perdido
    Com vontade de chorar

    E parceria ternura
    Se eu me deixasse embalar
    Era maior a amargura
    Menos triste o meu cantar

  • 5. Ó Gente Da Minha Terra

    Letras

  • 6.
    Que Deus Me Perdoe
    3:36
    Letras

    Que Deus Me Perdoe

    (Silva Tavares / Frederico Valério)

    Se a minha alma fechada
    Se pudesse mostrat
    O que eu sofro calada
    Se pudesse contar
    Toda a gente veria
    Quanto sou desgraçada
    Quanto finjo alegria
    Quanto choro a cantar

    Que Deus me perdoe
    Seé crime ou pecado
    Mas eu sou assim
    Fugindo ao fado
    Fugia de mim
    Cantando dou brado
    E nada me dói
    Se é pois um pecado
    Ter amor ao fado
    Que Deus me perdoe

    Quando canto não penso
    No que a vida é de má
    Nem sequer me pertenço
    Nem o mal se me dá
    Chego a querer na verdade
    E a sonhar sonho imenso
    Que tudo é felicidade
    E a tristeza não há

  • 6. Que Deus Me Perdoe

    Letras

  • 7.
    Há Festa Na Mouraria
    3:14
    Letras

    Há Festa Na Mouraria

    (A. Amargo / A. Duarte)

    Há festa na mouraria
    É dia da procissão
    Da Senhora da Saúde
    Até a Rosa Maria
    Da rua do Capelão
    Parece que tem virtude

    Colchas ricas nas janelas
    Pétalas soltas no chão
    Almas crentes povo rude
    Anda a fé pelas vielas
    É dia da procissão
    Da senhora da Saúde

    Após um curto rumor
    Profundo silêncio pesa
    Por sobre o Lago da Guia
    Passa o Virgem no andar
    Tudo se ajoelha e reza
    Até Rosa Maria

    Como que petrificada
    Em fervorosa oração
    É tal a sua atitude
    Que a Rosa já desfolhada
    Da rua do Capelão
    Parece que tem virtude

  • 7. Há Festa Na Mouraria

    Letras

  • 8.
    Terra D' Água
    2:29
    Letras

    Terra D' Água

    (Jorge Fernando)

    Minha terra d'água
    Ao acir da mágoa
    Aconteça estarmos sós
    E a minha alma faz-se voz
    P'ra contar-te as penas
    Das águas serenas que teu fado quis
    Meu país

    Minha pátria d'água
    Nos meus sonhos afogo-a
    Que em mil noites te sonhei
    Que em mil fados te cantei
    Minha pátria d'água
    Ao cair da mágoa por ti sou feliz
    Meu país

  • 8. Terra D' Água

    Letras

  • 9.
    Oiça Lá Ó Senhor Vinho
    2:58
    Letras

    Oiça Lá Ó Senhor Vinho

    (Alberto Janes)

    Oiça lá ó senhor vinho
    Vai responder-me, mas com franqueza
    Porque é que tira toda a firmeza
    A quem encontra no seu caminho?

    Lá por beber um copinho a mais
    Até pessoas pacatas
    Amigo vinho em desalinho
    Vossa mercê faz andar de gatas

    É mau procedimento e há intenção
    Naquilo que faz
    Entra-se em desiquilíbrio
    Não há equilíbrio que seja capaz

    As leis da física falham
    E a vertical, de qualquer lugar
    Oscila sem se deter
    E deixa de ser perpendicular

    Eu já fui raspão do vinho
    Me julga ninguém, faz pouco de mim
    Quem me trata como água
    É ofensa pagua, eu cá sou assim
    Vossa mercê tem razão
    É ingrato falar mal do vinho
    E a provar o que lhe digo
    Vamos meu amigo,
    A mais um copinho

  • 9. Oiça Lá Ó Senhor Vinho

    Letras

  • 10.
    Por Ti!
    3:29
    Letras

    Por Ti!

    [J.Luís Gordo / Fado Tango (tradicional)]

    Fecho os olhos e canto
    E canto só para ti
    Derramo a voz e o pranto
    Que te canta como eu canto
    É por ti e só por ti

    Dou à guitarra e ao xaile
    Caminhos de Santiago
    Cega-me o pó neste vale
    Que o vento só por meu mal
    Acende fogos que apago

    Há tanta melodia, tanta
    Que o vento trás nos sentidos
    Sinfonias que me encantam
    Parece ás vezes que cantam
    Fados de amores proíbidos
    Eu trago a estrada da vida
    Guardada na minha mão
    Que pensa perder-se na ida
    Com medo de não ter partida
    Dentro do meu coração

  • 10. Por Ti!

    Letras

  • 11.
    Oxalá
    2:26
    Letras

    Oxalá

    (Jorge Fernando)

    Oxalá
    Não te entristeça meu fado
    Meu astro signo real
    Nasceste ao mar acostado
    No extremo ocidental

    O céu iluminaste
    Com tua luz dourada
    Espada que outrora ergueste
    E que hoje é quase nada
    Mística luz dourada

    Oxalá
    Não te entristeça meu fado
    Meu astro signo real
    Nasceste ao mar acostado
    No extremo ocidental

    Devolve o meu anseio
    Canto-te a flor da voz
    O teu destino inteiro
    E oxalá...

    Não te entristeça meu fado
    Meu astro signo real
    Dormindo ao mar acostado
    Acorda Portugal

  • 11. Oxalá

    Letras

  • 12.
    Barco Negro
    4:00
    Letras

    Barco Negro

    (David Mourão Ferreira / Caco Velho-Parantini)

    De manhã que medo
    Que me achasses feia!
    Acordei, tremendo
    Deitada na areia...
    Mas logo os teus olhos
    Disseram que não
    E o sol penetrou
    No meu coração

    Vi depois numa rocha, uma cruz
    E o teu barco negro
    Dançava na luz...
    Vi teu barço acenando,
    Entre as velas já soltas...
    Dizem as velhas da praia que não voltas
    Sáo loucas!
    São loucas!
    Eu sei meu amor:
    Nem chegaste a partir
    Tudo, em meu redor,
    Me diz que estás sempre comigo

    No vento que lança
    Areia nos vidros;
    Na água que canta;
    No fogo mortiço;
    No calor do leito;
    Nos bancos vazios;
    Dentro do meu peito
    Estás sempre comigo

  • 12. Barco Negro

    Letras

  • 13.
    Ó Gente Da Minha Terra - Piano Version
    5:53
  • 13. Ó Gente Da Minha Terra - Piano Version