Terra em Concerto - DVD

2009 · EMI Music Portugal

  • 1.
    Recurso
    Letras

    Recurso

    (David Mourão-Ferreira / Tiago Machado)

    Apenas quando as lágrimas me dão
    um sentido mais fundo ao teu segredo
    É que eu me sinto puro e me concedo
    A graça de escutar o coração.

    Logo a seguir (porquê?), vem a suspeita
    de que em nós os dois tudo é premeditado.
    E as lágrimas então seguem o fado
    de tudo quanto o nosso amor rejeita.

    Não mais queremos saber do coração,
    nem nos importa o que ele nos concede,
    regressando, febris, àquela sede
    onde só vale o que os sentidos dão.

  • 1. Recurso

    Letras

  • 2.
    Minha Alma
    Letras

    Minha Alma

    (Paulo de Carvalho)

    Alma ai! Minh'Alma
    Diz-me quem eu sou
    Alma ai! Minh'Alma
    Diz-me para onde vou

    Lisboa vem namorar-me lá vou eu
    Pelas ruas do passado a correr
    O meu fado é o futuro mas eu juro
    Meu amor
    Que namoro o meu passado
    Sem lhe dizer para onde vou

    Alma ai! Minh'Alma...
    Quando saio de ao pé de mim eu sou o mar
    Doutras terras, doutras gentes que não vi
    O meu canto é o meu sonho não morreu
    Meu amor
    Meu amor eu sou o povo
    Sou mais longe do que eu

  • 2. Minha Alma

    Letras

  • 3.
    Maria Lisboa
    Letras

    Maria Lisboa

    (David Mourão Ferreira / Alain Oulman)

    É varina, usa chinela,
    Tem movimentos de gata;
    Na canastra, a caravela,
    No coração, a fragata...

    Em vez de corvos no xaile
    Gaivotas vêm pousar...
    Quando o vento a leva ao baile
    Baila no baile com o mar

    É de conhas o vestido,
    Tem algas na cabelaira,
    E nas veias o latido
    Do motor de uma traineira...

    Vende sonhos e maresia,
    Tempestades apregoa...
    Seu nome próprio: Maria...
    Seu apelido: Lisboa...

  • 3. Maria Lisboa

    Letras

  • 4.
    Chuva
    Letras

    Chuva

    (Jorge Fernando)

    As coisa vulgares que há na vida
    Deixam saudade
    Só as lembranças que doem
    Ou fazem sorrir

    Há gente que fica na história
    Da história da gente
    E outros que quem nem o nome
    Lembramos de ouvir

    São emoções que dão vida
    À saudade que trago
    Aquelas que tive contigo
    E acabei por perder

    Há dias que marcam a alma
    E a vida da gente
    E aquele em que tu me deixaste
    Não posso esquecer

    A chuva molhava-me o rosto
    Gelado e cansado
    As ruas que a cidade tinha
    Já eu percorrera
    Ai, meu choro de moça perdida
    Gritava à cidade
    Que o fogo do amor sob a chuva
    Á instantes morrera

    A chuva ouviu e calou
    Meu segredo à cidade
    E eis que ela bate no vidro
    Trazendo a saudade

  • 4. Chuva

    Letras

  • 5.
    Rosa Branca
    Letras

    Rosa Branca

    (José de Jesus Guimarães / Resende Dias)

    De rosa ao peito na roda
    Eu bailei com quem calhou
    Tantas voltas dei bailando
    Que a rosa se desfolhou

    Quem tem, quem tem
    Amor a seu jeito
    Colha a rosa branca
    Ponha a rosa ao peito

    Ó roseira, roseirinha
    Roseira do meu jardim
    Se de rosas gostas tanto
    Porque não gostas de mim?

  • 5. Rosa Branca

    Letras

  • 6.
    Vozes do Mar
    Letras

    Vozes do Mar

    (Florbela Espanca/ Diogo Clemente)

    Quando o sol vai caindo sobre as águas,
    Num nervoso delíquio de oiro intenso,
    Donde vem essa voz cheia de mágoa,
    Com que falas à terra oh mar imenso?

    Tu falas de festins e cavalgadas?
    De cavaleiros errantes ao luar,
    Falas de caravelas encantadas
    Que dormem em teu seio a soluçar?

    Tens cantos de epopeias? Tens anseios 
    De amarguras? Tu tens também receios
    Oh mar cheio de esp'rança e majestade

    Donde vem essa voz oh mar amigo?
    Talvez a voz de um Portugal antigo
    Chamando por Camões numa saudade.

  • 6. Vozes do Mar

    Letras

  • 7.
    Beijo de Saudade
    Letras

    Beijo de Saudade

    (B.leza)

    Ondas sagradas do Tejo
    Deixa-me beijar as tuas águas
    Deixa-me dar-te um beijo
    Um beijo de mágoa
    Um beijo de saudade
    Pra levar ao mar e o mar à minha terra

    Nas tuas ondas cristalinas
    Deixa-me dar-te um beijo
    Na tua boca de menina
    Deixa-me dar-te um beijo, óh Tejo
    Um beijo de mágoa
    Um beijo de saudade
    Pra levar ao mar e o mar à minha terra

    Minha terra é aquela pequenina
    É Cabo Verde terra minha
    Aquela que no mar parece criança
    É filha do oceano
    É filha do céu
    Terra da minha mãe
    Terra dos meus amores

    Bêjo Di Sodade

    Onda sagrada di Tejo
    Dixám' bejábu bô água
    Dixám' dábu um beijo
    Um bêjo di mágoa
    Um bêjo di sodadi
    Pá bô levá mar, pá mar leval' nha terra

    Na bôs onda cristalina
    Dixám' dábu um beijo
    Na bô boca di minina
    Dixám' dábu um beijo óh Tejo
    Um bêjo di mágoa
    Um bêjo di sodadi
    Pá bô levá mar, pá mar leval' nha terra

    Nha terra ê quêl piquinino
    Ê Cabo Verde, quêl quê di meu
    Terra que na mar parcê minino
    Ê fidjo d'oceano
    Ê fidjo di céu
    Terra di nha mãe
    Terra di nha cretcheu

  • 7. Beijo de Saudade

    Letras

  • 8.
    Tasco da Mouraria
    Letras

    Tasco da Mouraria

    (Paulo Abreu Lima / Rui Veloso)

    Cresce a noite pelas ruas de Lisboa
    E os meninos como eu foram dormir
    Só eu fico com o sonho que já voa
    Nesta estranha minha forma de sentir.

    Deixo o quarto com passinhos de menina
    Num silêncio que respeita o mais sagrado
    Quando o brilho de meus olhos na cortina
    Se deleitam ao ouvir cantar o fado.

    Meu amor, vai-te deitar, já é  tarde
    Diz meu pai sempre que vem perto de mim
    Nesse misto de orgulho e de saudade
    De quem sente um novo amor no meu jardim.

    E adormeço nos seus braços de guitarra
    Doce embalo que renasce a cada dia
    Esse sonho de cantar a madrugada
    Que foi berço num tasco da Mouraria.

  • 8. Tasco da Mouraria

    Letras

  • 9.
    Cavaleiro Monge
    Letras

    Cavaleiro Monge

    (Fernando Pessoa / Mário Pacheco)


    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por casa, por prados,
    Por quintas, por fontes,
    Caminhais aliados.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por penhascos pretos, 
    Atrás e de fronte,
    Caminhais secretos

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por prados desertos,
    Sem ter horizontes,
    Caminhais libertos.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por ínvios caminhos,
    Por rios sem ponte,
    Caminhais sozinhos.

    Do vale à montanha,
    Da montanha ao monte,
    Cavalo de sombra, cavaleiro monge.
    Por quanto é sem fim,
    Sem ninguém que o conte,
    Caminhais em mim.

    Por penhascos pretos
    Por rios sem ponte
    Caminhais em mim

  • 9. Cavaleiro Monge

    Letras

  • 10.
    Barco Negro
    Letras

    Barco Negro

    (David Mourão Ferreira / Caco Velho-Parantini)

    De manhã que medo 
    Que me achasses feia!
    Acordei, tremendo
    Deitada na areia...
    Mas logo os teus olhos
    Disseram que não
    E o sol penetrou
    No meu coração

    Vi depois numa rocha, uma cruz
    E o teu barco negro
    Dançava na luz...
    Vi teu barço acenando,
    Entre as velas já soltas...
    Dizem as velhas da praia que não voltas
    Sáo loucas!
    São loucas!
    Eu sei meu amor:
    Nem chegaste a partir
    Tudo, em meu redor,
    Me diz que estás sempre comigo

    No vento que lança
    Areia nos vidros;
    Na água que canta;
    No fogo mortiço;
    No calor do leito;
    Nos bancos vazios;
    No meu próprio peito
    Estás sempre comigo

  • 10. Barco Negro

    Letras

  • 11.
    Oiça Lá Ó Senhor Vinho
    Letras

    Oiça Lá Ó Senhor Vinho

    (Alberto Janes)

    Oiça lá ó senhor vinho
    Vai responder-me, mas com franqueza
    Porque é que tira toda a firmeza
    A quem encontra no seu caminho?

    Lá por beber um copinho a mais
    Até pessoas pacatas
    Amigo vinho em desalinho
    Vossa mercê faz andar de gatas

    É mau procedimento e há intenção
    Naquilo que faz
    Entra-se em desiquilíbrio
    Não há equilíbrio que seja capaz

    As leis da física falham
    E a vertical, de qualquer lugar
    Oscila sem se deter
    E deixa de ser perpendicular

    Eu já fui raspão do vinho
    Me julga ninguém, faz pouco de mim
    Quem me trata como água
    É ofensa pagua, eu cá sou assim
    Vossa mercê tem razão
    É ingrato falar mal do vinho
    E a provar o que lhe digo
    Vamos meu amigo,
    A mais um copinho

  • 11. Oiça Lá Ó Senhor Vinho

    Letras

  • 12.
    Primavera
    Letras

    Primavera

    (David Mourão Ferreira / Pedro Rodrigues)

    Todo o amor que nos prendera
    Como se fora de cera
    Se quebrava e desfazia
    Ai funesta primavera
    Quem me dera, quem nos dera
    Ter morrido neste dia

    E condenaram-me a tanto
    Viver comigo meu pranto
    Viver, viver e sem ti
    Vivendo sem no entanto
    Eu me esquecer desse encanto
    Que nesse dia perdi

    Pão duro da solidão
    É somente o que nos dão
    O que nos dão a comer
    Que importa que o coração
    Diga que sim ou que não
    Se continua a viver

    Todo o amor que nos prendera
    Se quebrara e desfizera
    Em pavor se convertia
    Ninguém fale em primavera
    Quem me dera, quem nos dera
    Ter morrido nesse dia

  • 12. Primavera

    Letras

  • 13.
    Morada Aberta
    Letras

    Morada Aberta

    (Carlos Tê / Rui Veloso)

    Diz-me o rio que conheço
    Como não conheço a mim
    Quanta mágoa vai correr
    Até o desamor ter fim

    Tu nem me ouves lanceiro
    Por entre vales e montes
    Matando a sede ao salgueiro
    Lavando a alma das fontes

    Vi o meu amor partir
    Num comboio de vaidades
    Foi à procura de mundo
    No carrossel das cidades

    Onde o viver é folgado
    E dizem, não há solidão
    Mas eu no meu descampado
    Não tenho essa ilusão

    Se eu fosse nuvem branca
    E não um farrapo de gente
    Vertia-me aguaceiro
    Dentro da tua corrente

    E assim corria sem dor
    Sem de mim querer saber
    E como tu nesse rumor
    Amava sem me prender

    Vai rio, que se faz tarde
    Para chegares a parte incerta
    Espalha por esses montes
    Que tenho morada aberta

  • 13. Morada Aberta

    Letras

  • 14.
    Ó Gente Da Minha Terra
    Letras

    Ó Gente Da Minha Terra

    (Amália Rodrigues / Tiago Machado)

    Ó gente da minha terra
    Agora é que percebi
    Esta tristeza que trago
    Foi de vós que recebi

    É meu e vosso este fado
    Destino que nos amarra
    Por mais que seja negado
    Ás cordas de uma guitarra

    Sempre que se ouve um gemido
    Duma guitarra a cantar
    Fica-se logo perdido
    Com vontade de chorar

    E parceria ternura
    Se eu me deixasse embalar
    Era maior a amargura
    Menos triste o meu cantar

  • 14. Ó Gente Da Minha Terra

    Letras